12/25/2016

Balanço de 2016, esperança para 2017?

Caros amigos do automobilismo, antes de tudo, Feliz Natal.

Nessa época em que fazemos reflexões e balanços sobre o que fizemos durante o ano, achei pertinente voltar a escrever no blog a respeito do, porque não? Futuro.

Desde 2012, quando o autódromo foi demolido, estamos em uma espera eterna pela resolução da lacuna da praça esportiva que tínhamos, importante não só para o automobilismo regional como também brasileiro, pela importância e visibilidade da cidade no contexto nacional e internacional.

Em agosto deste ano tirei a poeira do blog e escrevi a respeito do texto do amigo e jornalista Rodrigo Mattar sobre os quatro anos sem pista, ajudamos a colocar em evidência a questão da volta do autódromo, depois de termos realizado todos os compromissos internacionais que nossos governantes nos impuseram, governantes esses que estão pagando com o processos e prisões o que fizeram, mas esse não é assunto para escrever aqui.

Mas, como o tempo passa, em agosto ainda estávamos em plena corrida eleitoral pela prefeitura, a foto que coloquei naquele post mostrava a gravação de uma chamada do então candidato Marcelo Freixo à prefeitura, que diga-se de passagem, foi o único candidato na época que se dispôs a se inteirar do assunto, e mais, assumiu a luta pela defesa da Vila Autódromo e demais comunidades afetadas pela sanha das obras dos grandes eventos, mas isso é passado e essa história está amplamente documentada na web para quem quiser ler.

O ano de 2016 para mim foi particularmente atribulado, passe a primeira metade do ano tentando me estabelecer em Santa Catarina, foi bom porque conheci outra realidade de automobilismo regional que nunca tentamos por aqui, a velocidade na terra, mas como tive que retornar, hoje estou de volta a cidade outrora maravilhosa e a todos os seus problemas inerentes de maus governantes e más políticas públicas na gestão da máquina estatal.

A eleição em novembro foi um marco pela defenestração do PMDB do governo, infelizmente meu candidato não ganhou, mas quem ganhou não é do partido que governou hegemonicamente o estado e município por mais de uma década, e isso é importante.

Primeiro pelos sinais de que o novo prefeito está dando de se livrar dos pepinos da administração anterior, sendo um dos maiores o Parque Olímpico, obra fruto da oligofrenia de empresários da construção civil empurrados pelo superfaturamento corporativo e empréstimos oficiais irresponsáveis que criaram no lugar do autódromo um imenso calçadão de concreto com arenas inúteis sem demanda de uso, como preconizávamos desde 2006 quando construíram a Arena Multiuso e o Parque Maria Lenk e o extinto velódromo que teve seu piso de pinho siberiano caríssimo triturado e suas ferragens jogadas em algum lugar ermo e não sabido.

Pouco me importam as explicações oficiais que venham a ser expostas aqui ou qualquer outro meio de comunicação, em 2007, como cidadão, assisti a cidade gastar 5 bilhões de reais para nada, vimos a ascensão do prefeito Eduardo Paes que governou a cidade por dois mandatos, e, através deles viabilizou através de obras a realização dos grandes eventos, durante esse tempo a cidade ficou ao sabor de suas vontades, e uma delas foi destruir o autódromo em nome de um projeto de especulação imobiliária megalomaníaco.

A Barra da Tijuca sempre foi um lugar ermo da cidade, por isso o autódromo foi construido nesse local, uma região que não possui infraestrutura de transportes para atender uma grande massa de habitantes, daí sua baixa densidade populacional, em dez anos essa realidade foi revertida e se tornou a região que recebeu a maior quantidade de empreendimentos imobiliários, o que impactou negativamente a qualidade de vida da região, não foram feitos estudos de impacto ambiental, muito menos adequação dos serviços para uma nova demanda, resultado? Ruas engarrafadas a qualquer hora do dia, grandes distancias a serem percorridas para atendimento de serviços básicos, isso entre outro problemas.

Diante disso, quando o projeto foi apresentado, a bolha imobiliária estava prestes a explodir,  vitimas da especulação imobiliária, quem tinha vendido seu imóvel artificialmente valorizado não conseguia comprar outro em iguais condições, e isso foi se agravando ao longo do tempo, quanto mais perto dos Jogos, mais especulação e pressão sobre as áreas ainda acessíveis para construção de novos empreendimentos imobiliários. A realidade hoje é bem diferente, e a viabilidade desse projeto é incerta, diria improvável, ainda mais com a nova frente imobiliária inaugurada na cidade com a demolição da Perimetral  a implantação da Orla Conde. 

Ainda temos precariedade de transporte da região, que recebeu apenas o subdimensionado BRT como sistema de transporte de massa, e, segundo os idealizadores da obra, a elitização do lugar com o valor altíssimo das unidades, somada a crise econômica trazida pelos gastos e endividamentos desmesurados, chegamos ao ponto que chegamos, uma área que ninguém quer.

Quando o autódromo entrou em cheque, em 2006, publiquei e estou em posse de documentos que mostram a situação fundiária de terreno, pertencente ao governo estadual, mas a situação ficou nebulosa a partir da posse do atual prefeito, manobras de gabinete foram feitas para que a prefeitura tivesse direitos de intervenção na área, coisa que já havia sido tentado pelo prefeito anterior, mas que sofreu restrições dadas pela então governadora Rosa Matheus, que inclusive impediu a construção do estádio olímpico no setor norte do autódromo dando em troca o terreno das oficinas de trens do Engenho de Dentro, isso ajudou a manter a esperança de conseguir se reestabelecer um traçado de mais de 3000mts.

Tudo isso nos leva aqui, dezembro de 2017, estamos a uma semana da posse de um novo prefeito, desvinculado do atual eixo de poder, e que tem figuras proeminentes como o ex-governador e o ex-presidente da Câmara dos Deputados presos e sendo processados por receber propina e por malversação de recursos públicos, sendo que a maior parte desses processos ainda não é sobre as obras dos grandes eventos, talvez tenhamos que esperar mais algumas semanas para que algumas figuras públicas tenham seu foro privilegiado revogado com o fim do mandato, para que mais prisões aconteçam e aí sim a verdadeira história comece a vir à tona.

Por parte das empreiteiras, a maioria está sentando no banco dos réus e tendo seus diretores presos, e, em uma estratégia de sobrevivência, estão fazendo delações entregando políticos e até mesmo outros empresários que participaram do butim do erário público, com isso dezenas de nomes estão sendo arrolados nos processos, e, dificilmente, a classe política brasileira passará impune a esse verdadeiro tsunami que está varrendo o país.

A parte que nos interessa dessa história, e é nisso que eu quero chegar, é que desde o anúncio da destruição do autódromo para dar lugar às arenas, sempre fomos informados que o governo teria uma verba e um lugar para construir uma nova pista, e uma parte da comunidade automobilística carioca, inclusive os dirigentes esportivos, se agarraram a essa esperança, já se foram quatro anos, e incrivelmente eles continuam por aí alegando as mesmas coisas, aguardando e aguardando, como se alguém ainda acreditasse nisso.

Mas hoje a realidade mudou. Dos planos feitos há mais de uma década em cima de projeções de demanda reprimida de imóveis na cidade e possibilidade de financiamento público e privado dessas obras, caímos na situação que não temos hoje entes privados que aceitem custear a manutenção de um equipamento de uso público em troca de exploração imobiliária de uma região sobrecarregada de imóveis vazios que vieram no rastro do lucro fácil dos Jogos, como ocorreu em alguns casos em que pessoas alugaram seus imóveis para participantes dos Jogos devido à proximidade com o local dos eventos, em nome dessa possibilidade de lucro fácil se investiram bilhões de reais na construção de condomínios inteiros que hoje estão vazios à espera de compradores, imóveis de pequeno porte, em prédios de alto adensamento populacional (aliás o prefeito vivia dizendo que se deveria adensar a população para otimizar o uso do espaço público, esquecendo-se que o adensamento populacional resulta na proporção inversa na degradação da qualidade de vida).

O que nos leva a situação que me levou a escrever no dia de Natal.

O Parque olímpico hoje está de posse de fato e de direito do governo federal, o verdadeiro credor das empresas que construiram as instalações, empresas essas em sua maioria investigadas ou em vias de, talvez a blindagem que ainda se faz nas incorporadoras imobiliárias se dê por alguma questão política, mas que irá cair diante da inadimplência dos pagamentos dos empréstimos feitos para a construção, e com isso, já que o espaço será reconfigurado como área de lazer para a população, porque não reconstruir o autódromo nos moldes de uma pista como a de Sochi, na Rússia, que foi construído dentro das instalações da olimpíada de inverno?

A proposta é simples e cristalina: por que perder tempo com polêmicas e licenciamento ambiental em uma área degradada e perigosa, sem atrativos turísticos e sem infraestrutura hoteleira para receber visitantes, se podemos ter uma pista nova em um local perfeitamente conhecido e com plenas condições de absorver um fluxo de visitantes na ordem de 100 mil pessoas para assistir um evento de alto valor agregado, seja no aspecto profissional como no econômico?

Projeções indicam que só será possível ter viabilidade econômica para se construir novas unidades habitacionais naquela região em no mínimo vinte anos, então, se podemos ter hoje, através do governo federal, a posse do terreno e construir um traçado para receber provas nacionais, e porque não, provas internacionais, porque não fazê-lo, sairia mais barato que usar um terreno virgem, que poderia sofrer as mesmas pressões imobiliárias no futuro, ainda mais sendo público e em uma área que está sendo preparada para no futuro servir como expansão imobiliária para pessoas de baixa renda que poderão acessar a Barra via Transolimpica/BRT.

É viável economicamente? Sim, existe demanda para a utilização de uma pista de corridas, existem categorias que podem correr aqui, o automobilismo regional é uma força econômica que pode trazer dinheiro para a cidade, basta haver interesse político para isso.

A hora é essa, a partir de janeiro de 2017 teremos um novo prefeito totalmente desvinculado do eixo do poder atual, que poderá acolher essa idéia em nome de um retorno rápido, não só do dinheiro investido, como também da imagem da cidade desvinculada dos grandes eventos e seu legado nefasto.

Ao grupo Pró-autódromo, FAERJ e CBA, vamos nos mexer e tentar cavar alguma coisa, não aceitem não como resposta, as desculpas terminaram, a hora é essa, vamos retomar a nossa casa.

Um bom Ano Novo para todos.







8/25/2016

Quatro anos, e agora?



Fazem quatro anos, não foram quatro dias nem quatro meses, que eu estive em frente às cameras para o país inteiro ver (até hoje circula na internet), denunciando o esbulho do autódromo, naquele mesmo ano, terminadas as eleições, o autódromo foi demolido e coberto pelo elefante olímpico, a minha luta naquele momento ficou encerrada, passaram-se quatro anos, e agora, com a Copa e Olimpíadas terminadas, com tudo o que se previa acontecendo, para bom e principalmente, para ruim, o que podemos esperar?
Um novo autódromo, concordando com Rodrigo Mattar​ em seu texto publicado no seu blog A Mil por Hora, o Rio não só merece, mas PRECISA de um autódromo. A história mostra, nos anos que tínhamos a pista funcionando, aos trancos e barrancos, com direito até a furto de cabos e energia da subestação de força na véspera do evento da F-Truck, sempre lotou de gente.
Eu sei que 40/50 mil pessoas não se compara a uma copa ou olimpíada, mas é um movimento perene, que pode ser coroado com um evento internacional que lance interesse sobre a cidade, aí sim trazendo turismo internacional de peso, que paga caro.
Lembremos da rede hoteleira, que investiu maciçamente na cidade nos últimos 8 anos para este momento, agora esse momento passou, o que eles vão fazer? Mandar as pessoas embora e colocar tapumes nas janelas dos seus hotéis recém-construídos?
É hora de usar a cabeça, Deodoro é inviável por vários motivos, nem preciso falar, entre construir ali ou construir fora da cidade prefiro a segunda opção, já construir dentro do elefante olímpico um circuito temporário para pelo menos receber as provas da Stock, Truck e eventualmente alguma categoria internacional seria factível, barato e de retorno imediato não só para a prefeitura como também para os empresários de um modo geral.
Esse projeto megalomaníaco da Barra se sobrepôs a um projeto muito mais factível que era de construir a Vila Olímpica na zona portuária, onde se fez o boulevard olímpico e escondeu o transito que passava antes ali pelo elevado.
Se em algum momento forem feitos projetos não só de retrofit nos prédios da zona portuária como também se construir moradias naquela região, tranquilamente quem hoje sofre três horas por dia para entrar ou sair da Barra mudaria imediatamente para o Centro do da cidade, aí eu pergunto, quem vai pagar um milhão de reais dentro de um condomínio de tres mil unidades, um verdadeiro pombal, com sérios problemas de qualidade na obra e o esgoto entupido por milhares de camisinhas?
A pergunta hoje que se faz não é o rumo que a cidade irá tomar depois desses grandes eventos, únicos na história do Rio de Janeiro? Que ousou, irresponsavelmente, fazer dois eventos seguidos e aplicar recursos que dariam para construir duas vilas olimpicas, uma ele deu pros empresários, outra ele deu para a especulação imobiliária, e a conta enfiou no rabo do povo pra ele pagar pelos próximos 60 anos.
Um autódromo no meio disso tudo parece até tolice, mas não, pode ser pelo menos um alento para quem precisa manter seu negócio funcionando, podemos aproveitar a crista da onda em que o país se apresentou como porto seguro para turistas estrangeiros, tentar trazer de volta alguma coisa para a cidade.
O que vai sair das urnas aqui a 45 dias ninguém sabe, o meu candidato ainda é o mesmo, independente dele comprar a idéia de um novo autódromo ou não, mas o problema não é só político, é de vontade, tivemos quatro anos pra nos mexer e nada aconteceu, e pelo visto nada vai acontecer, porque? Alguém não quer essa nova pista? Quem? Empresários, políticos, especuladores, federações esportivas? Quem nos últimos doze anos vem sistematicamente sabotando o automobilismo carioca, privando a cidade de ter uma pista decente e fazer parte do cenário do automobilismo nacional?
Não adianta o automobilismo brasileiro ir bem (e não está nem um pouco no momento) se ele não está no Rio de Janeiro ele não existe, sério.
Morei os últimos seis meses em Santa Catarina, e todo santo dia o Rio era notícia, todo dia de manhã a tevê do salão do hotel estava ligada no Bom Dia Rio, e não era deferência a minha presença no hotel, era porque as pessoas se interessavam com o que acontecia aqui, isso vale pro resto do país, a nossa cidade, queiram ou não é referencia, polo de atração, podem chamar de balneário decadente, o que for, bairrismo à parte, é pra cá que essa porcaria que chamamos de imprensa, aponta, é aqui que as coisas acontecem, então caramba, porque essa perseguição, porque ficarem com os eternos preconceitos de carioca não gosta de automobilismo porque tem praia, gente isso é de um provincianismo tacanho, há muito tempo que carioca opta por outros meios de diversão que não são a praia, quem vai a praia final e semana é povão, que não tem dinheiro pra shopping nem subir a serra ou passear fora da cidade, se colocar um autódromo, com eventos bacanas e um preço bom, enche, sempre encheu, e sempre vai encher, a história mostra isso.
Não adianta os paulistas ficarem chamando Interlagos e "templo" enquanto ficam desdenhando dos cariocas, não adianta o pessoal do sul com seu vigoroso automobilismo de velocidade na terra e os seus autódromos ficarem enfurnados lá nos seus estados, não adianta o centro oeste com pistas como Goiania e Brasília (esta última sobrevivendo sabe-se lá Deus como) ficarem praticamente esquecidas do resto do país, enquanto não tivermos uma pista no Rio de Janeiro, tivermos eventos automobilisticos na cidade do Rio de Janeiro, o automobilismo brasileiro como um todo não terá visibilidade, nem midiática, nem econômica,e muito menos, será prioridade na mesa de qualquer governante desse país.
Somos herdeiros de uma história muito bonita, tanto dentro como fora de nossas fronteiras, está se jogando no lixo o esforço de milhares de pessoas que durante décadas praticaram o esporte a motor como trabalho, lazer, com ou sem lucro, mas que reúne em torno dele uma massa de aficcionados com bom poder aquisitivo, e que está sendo deixada de lado.
Aguentamos quatro anos sem autódromo, quantos mais até essa gente imbecil com idéias do século passado começar a raciocinar e construir uma pista e trazer os eventos internacionais de volta à nossa cidade, até quando?